OPINIÃO

Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), membro tiular de Academia Brasileira de Ciências. Ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, ex-diretor de Avaliação da CAPES, ex-coordenador do Grupo de Trabalho de Educação, da SBPC, ex-sub-secretário de Políticas para Crianças do GDF. Autor, em parceria com Mozart Neves Ramos, do livro A urgência da Educação.

Isaac Roitman

 

No século 18, Edward Jenner dedicou 20 anos de sua vida aos estudos sobre varíola. Em 1798 divulgou seu trabalho, um inquérito sobre causas e efeitos da vacina da varíola, mudando completamente a ideia de prevenção sobre doenças. A partir daí foram desenvolvidas vacinas para outras doenças infecciosas, como poliomielite, tétano, coqueluche, sarampo, rubéola, febre amarela, difteria, hepatite, entre outras. As vacinas consistem na introdução do agente causador da doença (atenuado ou inativado) ou substâncias que esses agentes produzem para estimular a produção de anticorpos e células de memória. Por causa da produção de anticorpos e células de memória, a vacina garante que, quando o agente causador da doença infecte o corpo dessa pessoa, e ela já esteja preparada para responder de maneira rápida.


No Brasil, a vacina desenvolvida por Jenner foi introduzida pelo Marquês de Barbacena em 1804, sendo ele a primeira pessoa a ser vacinado. Cem anos depois (1904), o Rio de Janeiro apresentava um saneamento muito precário. Esse quadro desencadeava epidemias, inclusive a varíola. Oswaldo Cruz, sanitarista, pretendia resolver o problema pela Lei da Vacina Obrigatória. A falta de informação sobre a eficácia e segurança das vacinas causou grande descontentamento na população, que protestou nas ruas contra a vacinação obrigatória. Entre 10 a 16 de novembro de 1904, ocorreram confrontos entre a população e as forças da polícia e do Exército, causando a morte de 30 pessoas e 110 feridos. A lei foi revogada, e o episódio ficou conhecido como a  Revolta da Vacina.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje existem vacinas disponíveis para combater pelo menos 20 doenças que salvam a vida de até 3 milhões de pessoas todos os anos. Quando somos vacinados, não estamos protegendo apenas a nós mesmos, mas também aqueles que estão ao nosso redor. A vacinação é segura, e os efeitos colaterais da vacina são geralmente menores e temporários, como dor no braço ou febre baixa. Efeitos colaterais mais graves são possíveis, mas extremamente raros.

 

O Brasil se destaca por seu programa público de imunização, que oferta todas as vacinas recomendadas pela OMS. Porém, nos últimos anos, os índices de cobertura vacinal ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem registrado queda. Infelizmente, observa-se a divulgação de informações incorretas, que são responsáveis pelo aumento de pessoas que não acreditam na eficácia ou temem os efeitos das vacinas. Como consequência, algumas doenças que estavam erradicadas, acabam retornando.

 

Após um ano do início da pandemia da covid-19, temos uma calamidade com mais de 300 mil óbitos e o colapso de atendimento médico. Quase dez vacinas já estão sendo utilizadas no planeta e que foram desenvolvidas por cientistas em tempo recorde. Existem centenas que estão sendo desenvolvidas, inclusive no Brasil.

 

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 29/03/21

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