OPINIÃO

Berenice Bento é professora do departamento de sociologia da Universidade de Brasília. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás, mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, doutora pela UnB/Universidade de Barcelona e pós-doutora pela CUNY/EUA.

Berenice Bento

 

Não há muita novidade para quem acompanha a imprensa “livre” francesa de que o mantra da liberdade de expressão caracterizaria a vida pública da República da “liberdade, igualdade, fraternidade”. Tampouco há muita novidade em afirmar que esta mesma imprensa tem sido (contrariando seu mantra fundante) um dos principais portos-seguros do Estado de Israel para assegurar suas políticas continuadas de limpeza étnica e a genocidade contra o povo palestino. Digo genocidade para me referir às políticas continuadas de expulsão e extermínio dos originários da terra: o povo palestino. A genocidade não se caracteriza por um ato único (por exemplo, ligar uma câmara de gás e matar dezenas de seres humanos em um único ato). A genocidade sionista é lenta e conta com inúmeros suportes para seguir seu objetivo. A imprensa/mídia é um dos seus pilares de sustentação.


Sigo diariamente a TV5Monde pela internet. No dia 06 de fevereiro, uma das primeiras matérias do jornal informava que a promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, declarou a aprovação da abertura de uma investigação sobre os crimes de guerra nos territórios palestinos cometidos por Israel. Bensouda iniciou uma investigação preliminar em janeiro de 2015 sobre as denúncias do massacre cometido por Israel contra a população palestina residente em Gaza em 2014. Resultado do massacre: 2.251 mortos palestinos/as a maioria civil (desse total, 550 eram crianças). Israel perdeu 74, quase todos militares1. Também examinou a violência perto da fronteira entre Israel e Gaza em 2018. No dia 05/02 o TPI aprovou que sua jurisdição se estende aos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que incluem Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza.2


Logo depois da notícia da admissão pelo TPI do processo contra Israel, o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu se pronunciou e articulou as três palavras mágicas que operam grande parte da genocidade sionista: terrorismo, antissemitismo e direito à autodefesa. O mesmo tripé que tem sido operacionado para perseguir ativistas dos direitos humanos engajados na campanha global pelo boicote a Israel. Sem a pompa do primeiro ministro israelense, o primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, faz uma declaração anêmica sobre a importância daquela decisão. Todo estudante de jornalismo sabe que a verdade da notícia é construída no espaço mágico das ilhas de edição, com seus cortes e colas.


Diariamente a TV5 tem realizado pequenos informes sobre a pandemia da covid-19 no mundo (principalmente nos países francófonos) e o eixo central tem sido (já há algumas semanas) as imensas dificuldades de vacinação da população francesa, os novos desafios da ciência diante das variantes do vírus no Reino Unido, na África Sul e (mais recentemente) no Brasil. Mas no dia 06 de fevereiro algo novo aconteceu na redação da TV5Monde.

 

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