OPINIÃO

Enrique Roberto Argañaraz é professor do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Graduado em Bioquímica pela Universidade Nacional de Tucumán (Argentina). Mestre e doutor em Imunologia e Genética Aplicadas pela UnB.

Enrique R. Arganaraz

 

A realidade é apenas uma ilusão, embora muito persistente
Albert Einstein

 

Os objetos são percebidos pela mente, através dos órgãos dos sentidos, com propriedades individuais, como forma, cor, temperatura, textura...que os caracterizam. Entretanto, nenhum órgão dos sentidos percebe um objeto ou propriedade, apenas canaliza informação para a mente, a qual interpreta a informação que chega e “atribui” um nome de acordo com as propriedades, de modo que úmido, frio e azul se tornam "água" e quente, amarelo e tremeluzente se tornam "fogo".

 

Tudo aquilo que vemos, ouvimos tocamos e sentimos como matéria no mundo, e até mesmo o próprio universo, são apenas “sinais – ondas” interpretados pela mente. Assim, podemos concluir que todos os objetos são apenas pensamentos e sua localização não está “lá fora”, mas na mente. Por outro lado, sob o ponto de vista da física de partículas, não existe contato real com os objetos, e por outro lado, nada é realmente sólido. A sensação de contato com objetos é dada pela mente, logo não vivemos em um universo de objetos, vivemos em um universo de pensamentos!

 

De fato, a chamada “realidade” é construída pela mente a partir de estímulos sensoriais e só existe na mente. Estes conceitos estão contidos no princípio antrópico da física, que estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência de um observador. Em outras palavras, o único universo que podemos ver é o universo que possui observadores.

 

Estas novas ideias sobre a realidade, inovadoras e disruptivas, têm atraído cada vez mais cientistas de diferentes áreas, como física, biologia e neurociências, entre outras, para estudar um antigo problema ainda sem resposta, “o problema da consciência”.

 

Embora tenham sido identificadas áreas do cérebro relacionadas com a percepção de cada propriedade, ainda não foram encontradas correlações entre uma dada atividade ou área cerebral e uma percepção específica, tal como as diversas tonalidades de uma cor. Um fenômeno, ainda de mais difícil entendimento, é a falta de correlação entre uma dada atividade cerebral e a única e indescritível percepção da própria existência. Assim, pesquisadores de diferentes áreas chegaram a hipóteses convergentes, nas quais a ideia de uma “Consciência”, fora do espaço-tempo, é introduzida como sendo a essência e o fator causal da “realidade objetável”.

 

Os seres humanos estão programados para ver o mundo como "lá fora", e não na própria mente. É como se cada ser humano fosse personagem de um jogo de realidade virtual. Esse programa de “realidade virtual”, chamado de “Maya” pelo Vedanta, e recentemente, de “Matrix”, no ocidente, é o poder que tanto vela quanto projeta, escondendo a verdadeira realidade. É como no sonho, o sonhador é tanto o sujeito quanto os objetos, a casa, as pessoas, as árvores ... toda a criação! O que nos leva à pergunta: como um sonho difere do mundo que é vivenciado quando acordado? Da mesma forma que um sonho parece real, quando em estado de vigília, todas as formas, das mais grosseiras até as mais sutis, objetos, pensamentos, sentimentos e emoções, por mais que pareçam reais não passam de criações mentais. Tudo isto nos leva a seguinte pergunta: a que distância os objetos estão da mente?

 

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