OPINIÃO

Bárbara Medeiros é doutoranda em Administração e professora voluntária da disciplina Diversidade nas Organizações no curso de Administração da Universidade de Brasília. Pesquisadora do Centro de Cultura e Estudos LGBT no Ambiente de Trabalho e do Núcleo de Diversidade e Crítica Organizacional da Faculdade de Administração, Contabilidade, Economia e Gestão Pública (Face/UnB). Atua como voluntária no projeto de empregabilidade trans no Ambulatório Trans do DF e no tcolletive.

Bárbara Medeiros

 

Em 09 de Setembro de 1965, há 55 anos, foi sancionada a lei nº 4.769, que dispõe sobre o exercício da profissão do/a administrador/administradora. Essa data é rememorada anualmente em comemoração ao dia do profissional da administração.

 

Historicamente, o/a administrador/administradora ganhou espaço nos processos organizacionais produtivos, após fundadores/fundadoras expandirem seus negócios e perceberem a necessidade de uma pessoa para administrá-los.

 

Envolto por uma perspectiva funcionalista, o/a administrador/administradora é moldado a reproduzir modelos operacionais com fins de otimizar resultados organizacionais, reduzir custos e aumentar lucros no contexto de aceleração e competitividade capitalista. Para tal, ele/ela perpetua as funções de planejar, coordenar pessoas, controlar atividades e processos. Inúmeras habilidades e competências são requeridas, como as de organização, liderança, comunicação, dinamismo, interação, entre outras. Administradores/administradoras em organizações produtivas tendem a fazer mais com menos, buscam qualidade total e zero perdas.

 

Como o processo organizacional é amplo e complexo, especialmente se pensarmos a administração de pessoas em um nível individual, grupal e organizacional, o exercício da função do/a administrador/a é um grande desafio. Sendo imprescindível, portanto, a crítica reflexiva à função do/a administrador/a.

 

Na lógica produtivista, administradores/administradoras utilizam-se de recursos linguísticos-discursivos na prática social, a fim de promoverem discursos em prol da adesão completa do indivíduo ao trabalho. Esses discursos são perpassados por feixes de poder, controle e dominação de indivíduos. Um controle não só físico, mas psíquico, a fim de alcançar os resultados organizacionais.

 

"Você tem que dar o melhor de si!" 

"É preciso vestir a camisa!" 

"Aqui só há lugar para vencedores/as!" 

 

Buscam-se mobilizar pulsões a favor do trabalho, criando relações próximas, intersubjetivas, de "parceria" com o indivíduo, o que pressupõe cooperação e reconhecimento. Entre coerções e privilégios, ele é aprisionado afetivamente. Isso abre precedentes ao produtivismo, à obsessão por resultados ascendentes e à falta de criticidade. Envolto a falsas promessas de sucesso em uma dimensão gerencialista, o indivíduo tende a se entregar completamente ao trabalho. E assim, entrega também o seu prazer como recurso a ser gerenciado nas mãos de administradores/administradoras. Com a excessiva incitação ao alto desempenho, pode experimentar o desgaste físico e mental.  

 

Cuidadosamente, é importante lembrarmos que, em todos os espaços nos quais circulamos, há processos organizacionais, como na família, escola, igreja, entre outras instituições de poder. Vivemos em uma sociedade organizada, que pretende a todo o tempo homogeneizar pensamentos e condutas. Há uma miríade de regras. Nas organizações, não é diferente. Isso quer dizer que eu e você administramos modos de pensar, agir, relacionar, representar e identificar no contexto sociorganizacional no qual vivemos.

 

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