OPINIÃO

Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril é professor e diretor da Faculdade UnB Planaltina. Possui Graduação em Ciências Biológicas, Mestrado e Doutorado em Ecologia, todos pela Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia e Conservação do Cerrado. Atua principalmente nos seguintes temas: educação ambiental, ensino de ciências e biologia e comunicação comunitária.

Marcelo Bizerril

 

Nenhum país pode prosperar sem o conhecimento científico e sem democracia. Entre 2005 e 2015, significativo investimento do governo federal nas universidades gerou aumento que quase triplicou o número de estabelecimentos, ampliando a cobertura da educação superior pública para extensa área do território nacional, a partir de vigoroso processo de interiorização dos campi universitários.

 

No entanto, do ponto de vista do noticiário, as universidades federais continuaram sendo tema de muitas manchetes negativas que, ao destacar pontuais (às vezes, supostos) abusos da liberdade, associados a festas, drogas, violência e relegar a segundo plano a revolução de inclusão e democratização no acesso à educação superior que se passava, contribuíram para um processo que já vinha, à longa data, pondo em dúvida a real importância dessas instituições.

 

Tanto é verdade que o senso comum do ex-ministro Weintraub — que insistiu em associar as universidades federais à balbúrdia, a custo excessivo, à falaciosa improdutividade e inexpressividade no cenário internacional — ecoou em parte da sociedade.

 

A solução dessa distorção não passava apenas pela necessidade de a sociedade “compreender a importância” das universidades públicas, mas, também, de elas saírem da posição de isolamento e ocuparem espaço de centralidade no cotidiano da sociedade. Ao que parece, os dois movimentos finalmente estão ocorrendo.

 

As campanhas midiáticas de divulgação das universidades públicas diante dos ataques difamatórios, dos cortes orçamentários e da proposta privatista do Future-se surtiram efeito na sensibilização da sociedade para sua real importância. Em 2020, a pandemia do novo coronavírus recolocou as recomendações e explicações científicas em destaque na mídia e, nesse contexto, a atuação das universidades foi e está sendo exemplar, como referências locais e regionais de informação confiável e de ações relevantes no combate à doença e suas consequências, sociais e econômicas.

 

O que ainda não foi devidamente explorado e compreendido é o papel fundamental das universidades públicas na defesa da democracia. Para além da formação acadêmica de qualidade, da produção de conhecimento científico e da ação social desempenhada pela extensão universitária, a defesa intransigente dos valores democráticos é a essência da universidade pública. A comunidade universitária sempre se insurge diante de atitudes antidemocráticas, tanto nos contextos internos quanto nos externos.

 

É que a democracia está enraizada na sua estrutura e na sua essência. Além dos debates cotidianos e das assembleias de diversos tipos e temas, a organização universitária é feita em torno de órgãos colegiados cujos membros, assim como os dirigentes, têm mandato e são escolhidos por meio do voto da comunidade acadêmica. Assim são eleitas chefias de departamento, diretorias de institutos, faculdades, campi e, sobretudo, reitores.

 

Para quem não compreende a importância desses processos, cabe perguntar: como falar com propriedade de cidadania e democracia para a juventude sem vivenciá-las?

 

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 11/9/2020.

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