OPINIÃO

Aldo Paviani é professor emérito da Universidade de Brasília e pesquisador associado do Departamento de Geografia e do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (NEUR/CEAM/UnB). Graduado em Geografia e História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e livre docente/doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência em Geografia Urbana, atuando principalmente nos temas: urbanizaçaão em Brasília, gestão do território, planejamento urbano, exclusão socioespacial e emprego/desemprego em áreas metropolitanas.

Aldo Paviani

 

O mundo todo está juntando esforços para recuperação das inúmeras fatalidades que a covid-19 acarretou em meses anteriores. Presenciamos tempos velozes de disseminação de uma tragédia impingida por invisível vírus, que ganhou dimensões planetárias a partir da China, como pouco presenciado nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, há percursos de tempos lentos no que tange à recuperação da economia e da saúde das respectivas populações. Por isso, é comum a referência a expressões como "o mundo não será o mesmo". E não será em setores das atividades econômicas, como do desemprego e das "lacunas de trabalho".

 

Ao tempo da pandemia, o desemprego tem estado presente em todos os estados brasileiros e as lacunas de trabalho surgem, embora sempre estivessem acontecendo. Atualmente, todavia, elas se intensificaram em razão da crise epidêmica. Explique-se que a lacuna de trabalho é diversa do desemprego porque é de outra natureza. O desemprego acontece e pode ser recuperado com a reativação da economia. As lacunas de trabalho, ao contrário, ocorrem quando o posto de trabalho foi eliminado permanentemente ou quando postos de trabalho novos não são criados. As lacunas de trabalho são pouco visíveis e identificáveis porque são tidas como desemprego. Sim, é uma situação de desemprego cruel e permanente para os trabalhadores, dado que não há retorno à situação anterior.

 

Então, com a pandemia, em diversos pontos do território, o tempo é veloz na eliminação de vagas em empresas que, por sua vez, fecham as portas, pois o consumo reduziu-se em função do isolamento social e da diminuição do consumo não essencial. Para se ter estatísticas das falências de empresas, há exigência de tempos longos com pesquisas a serem realizadas em todo o território nacional. Essas pesquisas dariam a dimensão aproximada das lacunas de emprego, separando-as do desemprego, o qual esperamos que seja superado pelo aquecimento econômico pós-pandemia.

 

No Distrito Federal, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED - Codeplan/Dieese/Setrab) do último maio revelou taxa de desemprego de 21,3% e atingiu 333 mil trabalhadores. Os numerosos desempregados, como não possuem renda, também não têm acesso ao consumo, pois não produzem, afetando a economia da capital federal. Esse processo é circular e cumulativo e gera quebradeira de empresas e cancelamento de postos de trabalho, confirmando minha hipótese sobre a evidência de lacunas de trabalho. E há outra circunstância: a PED, para cada uma das quatro categorias agrupadas de acordo com a renda média das Regiões Administrativas (RAs), indica para a mais baixa renda uma taxa 10,4% mais elevada do que a média, ou 31,7. A PED, para detectar as lacunas de trabalho, poderia incluir pesquisas específicas nas empresas e no serviço público.

 

De fato, os dados sobre a situação de pandemia que a mídia nos traz são preocupantes pois, mais pessoas são infectadas a cada dia.
  

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 3/8/2020.

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