OPINIÃO

Márcia Abrahão Moura é reitora da Universidade de Brasília e professora do Instituto de Geociências. É graduada, mestre e doutora em Geologia pela UnB, com período sanduíche na Université d'Orléans e BRGM (Orléans, França) e pós-doutora pela Queen´s University, Canadá. Atua nas áreas de granitos e mineralizações associadas, em depósitos do Brasil, de Cuba, do Peru e da Colômbia, nos temas: metalogenia, hidrotermalismo, inclusões fluidas, isótopos estáveis, petrologia e mineralogia.

Márcia Abrahão

 

Nós, brasilienses de nascimento ou de coração, costumamos dizer que o céu de Brasília é como o mar. Amplo, aberto em sua imensidão azul e, em boa parte do ano, bastante ensolarado. Com uma estação seca que vai de meados de abril a outubro, o que não nos falta na capital é radiação solar. Ainda assim, levantamento recente feito pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostra que o Distrito Federal está muito aquém de seu potencial. Ocupa a 20ª posição no ranking nacional de geração de energia solar.

 

Na Universidade de Brasília, temos procurado agir para mudar essa realidade. Desde 2017, passamos a investir na instalação de painéis fotovoltaicos. Em uma primeira rodada de investimentos, levamos as plantas solares para todos os campi da UnB. Planaltina, Gama, Ceilândia e o campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, já têm prédios com sistemas em funcionamento desde 2019. Em todos os casos, lugares que abrigam salas de aula.

 

Agora, estamos executando uma nova rodada de obras, desta vez em prédios onde predominam salas de professores, as chamadas Unidades de Ensino e Docência (UED), cuja arquitetura se repete em várias edificações da UnB. As obras estão sendo financiadas com recursos da arrecadação própria da universidade e de um projeto de eficiência energética da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC).

 

Até o final deste ano, quatro novas plantas vêm se somar às quatro existentes e a outras três que fazem parte de projetos das faculdades UnB Gama (FGA) e de Tecnologia (FT), por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em parceria com a Companhia Energética de Brasília (CEB). Chegaremos, assim, a 11 sistemas em operação. Com isso, os dados disponíveis atualmente apontam que a UnB será a universidade federal que mais produz energia renovável no país.

 

Os projetos estão sendo realizados pela Secretaria de Infraestrutura da UnB em parceria com professores e estudantes da FGA, que usam a necessidade institucional para a formação de futuros engenheiros e o desenvolvimento de pesquisas. Outros projetos estão nascendo, com foco no monitoramento e na avaliação de desempenho dos sistemas já instalados. Dessa forma, integramos as áreas administrativa e acadêmica, cada qual oferecendo sua expertise em prol de melhorias para a instituição.

 

Além dos investimentos em geração de energia limpa, a UnB vem dando outros passos significativos rumo à sustentabilidade. Em 2017, criamos um setor responsável pela coordenação de ações sustentáveis, transformado, dois anos depois, em Secretaria de Meio Ambiente (Sema/UnB). Tivemos nosso primeiro Plano de Logística Sustentável e, em uma primeira avaliação, cumprimos 73% das metas estabelecidas (ou 30 das 41 elencadas). O desempenho foi acima do esperado em 14 delas.

 

Entre as metas, estava a redução do consumo de resmas de papel em 8% e de toners e cartuchos em 45%. Chegamos, em 2019 (antes, portanto, da pandemia e da interrupção das atividades presenciais), a uma diminuição de 32,5% e 80% nesses dois itens, respectivamente. O consumo de copos descartáveis também caiu muito: 46,5% para os de 200ml e 48,7% para os de 50ml. A meta, para ambos, era de 6%.

 

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Publicado originalmente pelo Correio Braziliense em 22/02/2021

 

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