MOBILIZAÇÃO

Movimentos pedem tolerância, respeito à diversidade e fim do discurso de ódio

Foto: Júlio Minasi/Secom UnB



Nesta segunda-feira (20), o Ato contra o discurso do ódio, o fascismo e a violência na UnB, convocado por 35 centros acadêmicos e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade, lotou o chamado Ceubinho, localizado na ala norte do Instituto Central de Ciências (ICC). Estudantes, professores e servidores técnico-administrativos da Universidade se uniram a parlamentares, políticos e movimentos sociais em prol da diversidade.


O objetivo principal da manifestação era repudiar as atitudes de violência e desrespeito praticadas por um grupo de pessoas na última sexta-feira (17), aparentemente alheias à Universidade, que entrou no ICC Norte, com megafones, gritando palavras de ordem de cunho homofóbico e com atitudes intolerantes.


“Essa mobilização é pra mostrar que os estudantes da UnB não vão tolerar qualquer tipo de discurso de ódio. Não podemos confundir a liberdade de expressão de cada um com o discurso de ódio que foi estabelecido na sexta-feira passada. A Universidade é um espaço de mudança social, e é daqui que deve partir esse tipo de manifestação contra atos que venham cercear a liberdade dos estudantes. O que aconteceu na sexta é inadmissível e não podemos permitir que isso se repita”, afirmou a coordenadora-geral da DCE, Sophia Luduvice.


Os organizadores do evento também cobraram ações concretas por parte da administração superior da UnB, que divulgou nota informando que as ocorrências serão devidamente apuradas e os órgãos competentes, acionados.

Thérèse Hofmann: "A universidade é o local do debate das ideias, não do embate físico”. Foto: Marcela D'Alessandro
 

A decana de Assuntos Comunitários, Thérèse Hofmann, representou a Reitoria no evento e reiterou o compromisso da Universidade com a promoção da cultura da paz, da tolerância, do respeito mútuo e da não violência. Ela apresentou as ações que têm sido desenvolvidas, como a criação dos termos do direito à diversidade, a construção do Plano de Respeito e Direito à Diversidade em conjunto com os centros acadêmicos, a realização da segunda Parada LGBT e da Semana da Diversidade LGBT.


“Pedimos que toda e qualquer ocorrência policial, toda e qualquer manifestação, como os vídeos que tenho recebido por parte dos alunos, sejam formalmente encaminhados ao DAC ou para a Ouvidoria da UnB, para que possamos tomar as ações formais e acionar os órgãos externos, quando as ações tiverem que extrapolar o campus da universidade”, afirmou Thérèse. “Vamos em frente, com o direito a pensar diferente e com muita calma. Não se prega paz com violência. A universidade é o local do debate das ideias, não do embate físico”, completou a decana.


João Marcelo Marques Cunha, aluno do curso de Sociologia e um dos organizadores do evento, reforçou a necessidade de providências legais cabíveis para impedir que novas agressões se repitam. Ele convocou todos os presentes a também lutar contra a cultura do ódio e da violência. “Vamos virar essa página. A UnB é lugar de paz. É a universidade que irá conduzir o povo brasileiro à sua emancipação, e só existe emancipação com tolerância, respeito à diversidade e democracia”, afirmou o estudante.


Ao final do evento, os organizadores distribuíram uma carta escrita em nome da comunidade universitária “contra o ódio, o fascismo e a violência na Universidade de Brasília”, em que se solidarizam às vítimas ameaçadas e cobram as medidas necessárias para resguardar a integridade dos estudantes.


Participaram do ato, além dos centros acadêmicos e do DCE, representantes da Associação de Pós-graduandos da UnB, da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), da União Nacional LGBT, de partidos políticos como PT, PSOL, PCO, PCB.