OPINIÃO

 

Delano Moody Simões da Silva é professor no curso em Ciências Naturais da Faculdade UnB Planaltina.

Delano Moody Simões da Silva

 

Para quê ensinar ciências ou porque ensinar ciências?

 

Em muitos cursos de formação de professores de Biologia, Química ou Física e em encontros da área de ensino de ciências essa pergunta está presente forma explicita ou não há muito tempo. A resposta a essa pergunta pode ser dada até mesmo por pessoas que não são da área científica, pois a ciência e seus produtos estão à nossa volta, proporcionando melhoria na qualidade de nossas vidas. Indo um pouco mais além do senso comum, aprender ciências possibilita não só a utilizar e entender a tecnologia que temos hoje à disposição, mas nos possibilita também fazer escolhas mais conscientes de estilo de vida e saúde. Além de nos permitir compreender melhor o mundo, seus fenômenos e a compreender a nós mesmos.

 

De certa forma, ao justificar o ensinar, já dialogamos com o aprender ciências, possibilitando que o estudante amplie sua visão de mundo, tornando-o mais crítico e responsável pelas suas escolas individuais e nos coletivos. Estabelecida a importância de ensinar e a aprender ciências, vem a inevitável pergunta: Como ensinar ciências? Uma disciplina em que o objeto do conhecimento está em nós mesmos e ao nosso redor, disciplina que responde desde porque que a roupa do varal seca até como podemos armazenar milhares de dados numa nuvem. Porém, ensinar ciências não é só apresentar seus produtos ou memorizar suas leis e premissas, mas sim oportunizar a compreensão dos processos básicos da vida e suas interações.

 

Para complicar um pouco mais a tarefa dos/as professores/as, os fenômenos da vida não separados em químicos, físicos e biológicos como costumamos apresentá-los, eles são fenômenos naturais, com aspectos químicos, físicos e biológicos de forma integrada. Por esse motivo, para ensinar ciências é necessário um conhecimento integrado do/a professor/a e não fragmentado em apenas uma ciência, sendo que, tanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e quanto nos Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998, já se sinalizava a necessidade de cursos de formação de professores em Ciências da Natureza.

 

De forma estratégica e pautada na inovação como característica, a Universidade de Brasília implementa em 2006, na Faculdade UnB Planaltina, o curso de Licenciatura em Ciências Naturais (LCN), com o objetivo de formar professores/as para ensinar ciências do 6º. ao 9º. da Educação Básica. Com uma proposta interdisciplinar proporcionando ao/às estudantes uma abordagem integrada dos conhecimentos de ciências para a compreensão dos fenômenos da natureza. Um dos grandes desafios de um curso com essa proposta é quem serão os/as professores/as que irão formar os/as professores/as de ciências, pois os cursos de LCN só começaram a ser criados, em sua maioria, no inícios dos anos 2000. Para enfrentar esse desafio, foram contratados biólogos, químicos, físicos, geólogos, matemáticos, psicólogos e pedagogos, ou seja, diferentemente da forma tradicional que era realizado na maioria das IES, onde as disciplinas eram oferecidas por diferentes unidades acadêmicas, o curso de LCN da FUP reuniu todos os professores numa mesma unidade. Com isso a integração de disciplinas e conteúdos ocorria em diferentes níveis, permeado pela integração das pessoas nos corredores, no café e no horário das refeições. Essa integração possibilitou e possibilita a esse grupo de professores/as aos/às estudantes uma perspectiva diferentes de ensino.

 

Além disso, essa integração motivou a criação disciplinas pouco tradicionais como Universo e Ensino de Geociências, além de ser uma das primeiras unidades acadêmicas a oferecer a 400h de estágio supervisionado na UnB, possibilitando aos/às estudantes uma verdadeira imersão na sala de aula.

 

Passados esses 20 anos, temos ex-estudantes em escolas públicas e privadas, em programas de pós-graduação pelo Brasil a fora, levando a nossa perspectiva de ensino de ciências para diversos espaços, auxiliando de forma crítica e inovadora a a prática docente. Que venham muitos anos dessa inquietação por ensinar ciências!

 

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